Adultização

Fonte: vídeo de Felca no Youtube.
O influenciador e humorista Felca no vídeo Adultização.

O vídeo de Felca sobre adultização acendeu um debate necessário na sociedade brasileira. Com 50 milhões de visualizações em apenas três semanas, furou a bolha da futilidade que reina na internet e apresentou uma pauta importante: a proteção de crianças e adolescentes.

A gravação começa com um aviso de gatilho informando que abordará temas sensíveis como abuso sexual infantil. Adiante, aponta a monetização como causa da exploração infanti-juvenil na web. Aqui Felca está parcialmente certo. Parcialmente porque há pouco tempo não existia a monetização e já havia exploração de crianças, inclusive em vídeos, alguns nas mesmas plataformas de agora como Youtube. Com a proliferação de reality shows em canais abertos e streamings, faltava um canal para abusadores assumidos ou em potencial. Vendo a possibilidade de lucrar com isso, criminosos como Hytalo Santos se aproveitaram. Se o único Deus que a sociedade capitalista reconhece é o mercado, a desproteção da infância se tornou mais um produto a ser comprado, como pão ou água. Se antes as gravações eram quase sempre fotos de crianças sendo abusadas sexualmente, os influencers deram uma roupagem equivocada de diversão, modernidade e protagonismo juvenil. Para isso, nada melhor do que driblar o Sistema de Garantia de Direitos enchendo o bolso de quem deveria ser protetor: os responsáveis legais.

Felca cita o exemplo de Kamyllinha, adolescente que dos 12 aos 17 anos trabalha – o termo é esse mesmo – para Hytalo Santos e não conhece o que é privacidade. Pior: não conhece o que é ser adolescente, pois se o vídeo de Felca não existisse é provável que Kamyllinha continuaria as ser um objeto que Hytalo usa quando quer, como o iphone que a filma. A cada exposição de Kamyllinha, mais adolescentes comentavam, mas também adultos. Quanto menos roupa e mais sexualização, com vídeos de Kamyllinha dormindo seminua com o “namorado”, filho de uma pastora que o transformou em dízimo e recebeu uma igreja de Hytalo, maior o número de likes e mais o algoritmo do Instagram retroalimentava a rede de abusadores. A “benção” foi tamanha que fez a pastora tatuar o nome de Hytalo. Outro exemplo citado é o da adolescente Caroliny Dreher, que fazia vídeos dançando nua e que são vendidos, pasmem, pela própria mãe!

Daí a responsabilidade das big techs, que bloqueiam perfis quando xingam um parlamentar e se dizem de mãos amarradas diante das contas de criminosos que há anos exploram sexualmente a imagem de crianças e adolescentes. Nesse ponto Felca acerta em cheio: a monetização fala mais caro e Mark Zuckerberg não quer saber de infância protegida e sim de moldar comportamentos para comprar o que seus anunciantes querem, sustentando sua condição de bilionário. Por esta razão a Meta confunde a população chamando regulamentação de censura.

O influenciador erra ao colocar pedofilia como sinônimo de abuso sexual infantil. Essa distinção não é academicista, mas crucial para entender que, dos abusadores, a menor parte é de pedófilos, alguém com transtorno psiquiátrico. Pedófilo sente atração pelo pré-púbere, ou seja, quem ainda não entrou na puberdade, período que vai do final da 3ª infância ao início da adolescência, podendo se estender um pouco mais no sexo masculino. Outro dado importante: 8 em cada 10 abusos é intrafamiliar e ocorre dentro de casa ou em locais de convivência da criança. Esclarecer é necessário para que responsáveis não pensem que temos que proteger as crianças para que não andem perto de locais isolados porque podem ser alvo de pedófilos. Isto torna o abuso ainda mais assustador por ser cometido por quem deveria, em tese, proteger a criança. Taxar todo abusador de pedófilo é desprotetivo e não ajuda a prevenir novos casos por afastar a presença do “predador”, termo usado por Felca.

Também não se deve utilizar a expressão pornografia infantil. Embora configure crime de estupro de vulnerável o adulto que se relaciona com alguém com menos de 14 anos, inexiste consenso na venda de imagens sexualizadas de adolescentes de 14 a 18 anos incompletos, a chamada exploração sexual e comercial, uma violência sexual tal qual o abuso. Pornografia pertence necessariamente ao mundo adulto e mesmo nesse grupo pode causar problemas como depressão, vício e reforço de estereótipos de violência de gênero. Dada as críticas necessárias, Felca fez um excelente trabalho porque utilizou o espaço virtual que tem para chegar a milhões de brasileiros, o que é difícil de ser conseguido pelo Estado ou organizações da sociedade civil como a SaferNet, referência no tema. Os traumas de um adulto abusado sexualmente podem seguir para toda a vida e isso é majorado quando ocorre com crianças e adolescentes, que ainda não tem o lobo frontal formado, responsável pelo raciocínio, humor e comportamento. É dever de todos, família, sociedade e Estado, assegurar que as crianças e adolescentes, pessoas em formação, tenham um crescimento saudável. Falta somente ajustarmos os dispositivos legais para completar essa equação e a aprovação do PL 2628/2022 pelo Congresso Nacional após viralização do vídeo de Felca vai ao encontro desse objetivo. Para avançar ainda mais, as Big Techs precisam ter responsabilidade social. Lutemos por isso.

Para visualizar o vídeo de Felca, clique aqui.

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Os três inimigos da educação

A greve da educação acabou, ou melhor, foi acabada por animais que se complementam. Embora distintos, se fundem numa simbiose. São três os que compõem essa fauna: o pinguim, a tênia e o peixe traíra.

O pinguim tem o coração de iceberg e congela muita coisa, como o vencimento básico do magistério. É tão frio que em plena pandemia, com pessoas gritando pelas ruas com fome, apareceu na TV ensinando receita de ossobuco em sua mansão no Lago Sul avaliada em 20 milhões de reais. Não fecha o bico e sempre ameaça professores de corte de ponto. Tem o dorso escuro e ventre claro para auxiliar na camuflagem, como em época de campanha que diz que professor deve ganhar igual juiz. Bem, talvez ele quisesse dizer juiz de futebol da quarta divisão porque não o esperaram molhar o bico e completar a frase. Fecha o olho pra educação e abre o outro para a segurança. É ave, mas não consegue voar. Logo, vai ficar pelo DF enchendo o saco como candidato ao senado e depois novamente ao governo. Contudo, por ter penas curtas e densas que garantem o isolamento térmico, pode nadar até outros biomas como o cerrado, a savana brasileira. Nesses ambientes abandonam a monogamia e se juntam com Leão, por exemplo.

O segundo animal inimigo da educação é um verme achatado – e chato – e do grupo dos platelmintos. Trata-se de um parasita. Para a biologia, “é um organismo que vive em ou sobre outro organismo, chamado hospedeiro, e retira dele nutrientes e abrigo, geralmente prejudicando o hospedeiro” (Google). No dicionário, o termo se refere a “pessoas que vivem às custas de outras, sem contribuir de forma equivalente” (idem). Em qualquer definição, uma escória. As mais comuns são as solitárias e as podium. As solitárias são aquelas que ignoram qualquer discussão política na escola, dizendo que devem apenas fazer o trabalho de dar aula, como se educar não fosse um ato político. Xingam os piquetes porque acham que são autossuficientes após casarem com alguém da Polícia Militar ou do Corpo de Bombeiros. Têm uma mente conturbada que permeia a ideia subjetiva de família protegida ao frenesi de “ando de carro que paguei à prestação”, como diz Max Gonzaga na música Classe Média. Recomenda-se não deixar bolsas com cartão de crédito perto dessas tênias. O nome da espécie vem de docentes de Centros de Ensino Especial que lecionam para poucos estudantes e não avisam que não fizeram greve aos pais de alunos. Assim, pais não levam os filhos e eles ficam ali na escola, solitários por uma hora até saírem para curtir a vida adoidado. Já tênias do tipo podium têm certeza que são vencedoras porque são encostadas em familiares de maior poder aquisitivo do que os cães de guarda do pinguim. Lecionam apenas porque detestam a alcunha de não estarem empregados e desfilam jóias tão bregas quanto os vestidos que usam nas festas de fim de ano na escola, quando sorteiam um porco no bingo. Cuidado: do porco é que vem a cisticercose. O contágio por tênia é pelos ovos deixados por parasitas, que vêm em formato de palestra de coach, convites para lanches da tarde (em que se descobre que é pirâmide ao chegar no local) e defesa de candidatos da extrema-direita. Você perceberá que os ovos se transformam em cisticercos, forma larval, quando as tênias começarem a falar e você sentir dores abdominais e vontade de vomitar ao observar maquete da Terra plana.

Por fim, existe o peixe traíra. Ele chega com um papo de que todos estão no mesmo cardume e te leva para passear no shopping, mas é só para jogarem spray de pimenta na sua cara. São pagos com o seu dinheiro e contratam seguranças carecas com mais tatuagem na cara que o Tico Santa Cruz para te descer a porrada. Também chamam a Polícia Militar para os protegerem quando sabem que vão praticar algum crime, como encaminhar um fim de greve à revelia da categoria. O peixe traíra é carnívoro, voraz e fará de tudo para alterar a realidade. Edita vídeos de assembleia colocando imagem de drone para não mostrar que a maior parte dos sindicalizados optou por continuar em greve. É um peixe que manipula o som da assembleia para na hora que votarem o fim da greve, ampliar a captação na frente dos traíras sexagenários, querendo dar a impressão de que são maioria – e ainda assim não conseguem! O peixe traíra vai te chamar para nadar contra a correnteza e quando estiverem vencendo, quase no fim, vai dizer que é mais fácil descer tudo que subiram para não correr o risco de morrerem na beira da praia. Fazem spam em seu Whats App e não cansam de te chamar de companheiro, mas assim como as tênias lhes falta a honestidade para te chamar do que realmente pensam que é: hospedeiro. Esse tipo de peixe tem sempre um candidato a deputado distrital e depois da assembleia de 25/06/2025 acabou com qualquer chance da esquerda vencer as eleições para o GDF em 2026, pois proporcionou um ódio em toda a população, não só docentes. Prova disso é que passadas 48 horas, nenhum deputado progressista comentou o fim da assembleia. O peixe traíra é encontrado enrolado em jornal do Sinpro. No Zodíaco, Leão agradece aos peixes.

Pronto, agora você já sabe quais são os três animais inimigos da educação. Não pode mais se fingir de desentendido. Deixe sua vida livre de pinguim, tênia e peixe traíra e seja a mudança que quer ver no mundo.

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O país do tênis de mesa!

Artigo de opinião originalmente publicado em Conversa Informal, jornal comunitário do Setor Habitacional Vicente Pires, Região Administrativa XXX do Distrito Federal. Ano 23, n. 05/2025, p. 7. disponível em: <https://jornalconversainformal.blogspot.com/2025/05/jornal-conversa-informal-de-maio-de-2025.html>. Acesso em: 08/05/2025.

Uma pessoa poliglota, multiesportista, autodidata (aprendeu a ler com 4 anos), já não seria tão comum em qualquer lugar do mundo. Acrescente a essas habilidades o título de campeão da Copa do Mundo de Tênis de Mesa e teremos Hugo Calderano, um dos melhores atletas brasileiros de todos os tempos. Mas o que chama a atenção em Calderano, como é conhecido e narrado aos gritos pelos locutores esportivos, é a sua versatilidade.

Calderano nasceu no Rio de Janeiro em 1996. Aos 13 anos ganhou o Prêmio Brasil Olímpico de melhor atleta escolar e aos 15 anos venceu Hugo Hoyama, outra lenda do tênis de mesa brasileiro. Com 21 anos estava entre os 20 melhores do mundo e no ano seguinte saltou para o top 10. Chegou às olimpíadas de 2021 em Tóquio como o melhor mesatenista fora da Ásia. Para resumir: Calderano tem quatro medalhas de ouro e uma de bronze em pan-americanos e uma parede recheada com outros títulos fora das Américas. Para se ter uma ideia do feito de Calderano, foi o primeiro jogador fora da Ásia e Europa a ganhar a Copa do Mundo.

Morando na Alemanha desde 2014, Calderano treina em um ginásio com quadras poliesportivas. Para aquecer, gosta de treinar arremessos de basquete. Em seu tempo livre gosta de tocar violão e resolver cubo mágico. Fala fluentemente português, francês, inglês, espanhol e alemão e consegue se comunicar em italiano e, pasme, mandarim! Tanto é verdade que após sua vitória na Copa do Mundo em 20/05/2025 deu entrevista na língua local para a mídia chinesa, que o considera um fenômeno do esporte.

Ah, sim, importante dizer que a Copa do Mundo de Tênis de Mesa de 2025 ocorreu na China e Calderano venceu os três primeiros lugares no ranking mundial: o japonês Tomokazu Harimoto e os chineses Wang Shuqin e Lin Shidong, respectivamente o terceiro, segundo e primeiro lugares  do ranking mundial (www.worldtabletennis.com/rankings). As implicações políticas da vitória do brasileiro em solo chinês não tardaram a ocorrer e Liu Guoliang, chefe da Associação Chinesa de Tênis de Mesa (CTTA), renunciou ao cargo.

Mas nem só de Calderano vive o tênis de mesa brasileiro. Na categoria Sênior – Masculino Individual, Vitor Ishy (47º) tem vários títulos em pan-americanos e sul americanos. Leonardo Iizuka (78º) e Eric Jouti (92º) completam a lista dos 100 melhores mesatenistas brasileiros no ranking mundial.

 Considerando a categoria Sênior – Feminino Individual, Bruna Takahashi é a 16ª melhor do mundo e sua irmã mais nova, Giulia Takahashi, 81ª. E se o mundo cabe numa casca de noz, como colocou Shakespeare em Hamlet, também pode caber em uma bolinha de tênis de mesa e juntar Bruna e Calderano como casal, o que ocorreu em fevereiro de 2024.

Para quem quiser se aventurar no esporte, Vicente Pires conta com a ASMETT (Associação de Tênis de Mesa de Taguatinga). No local treinam homens e mulheres de todas as idades, tanto iniciantes como experimentados no esporte e que gostam de se divertir. Assim como o campinho de futebol da esquina nos transformou no país do futebol, as associações de mesatenistas pelo país podem nos transformar no país do tênis de mesa. E alguém duvida após o show de Calderano na China?

SERVIÇO

ASMETT

Local: Chácara 106A, nº 48 (sobreloja), em frente ao Ginásio do Taguaparque

Telefone: (61) 98136-7053

Instagram: @asmett

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Denúncia: biblioteca da Escola Classe 209 Sul é subutilizada

A biblioteca da Escola Classe 209 Sul (EC 209 Sul) está sem um profissional para trabalhar no local há anos. Para quem não sabe, bibliotecas geralmente ficam com professores(as) readaptados(as), mas nada impede que haja outros profissionais que sejam responsabilizados pelo local, como bibliotecários. Ocorre que na EC 209 Sul existe o espaço físico da biblioteca e livros, não tem profissional lotado no espaço. Logo, existe uma precarização das possibilidades pedagógicas a serem realizadas com a biblioteca e, diante disso, resolvi fazer uma reclamação na Ouvidoria do Governo do Distrito Federal através do canal Participa DF.

Dados Básicos – OUV-135147/2024

Classificação: Reclamação

Abertura: 16/05/2024 14:53:42

Localização Atual: SEE – Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal

Tipo de Entrada: PARTICIPA-DF

Tema/Assunto: Unidade Educacional Pública

Relato:

A Escola Classe 209 Sul encontra-se, há anos, com a biblioteca fechada. Estudantes que hoje encontram-se no 2º ano, período integral, já passaram todo o ano de 2023 sem biblioteca, situação essa que se repete no ano de 2024. A situação já foi reclamada em 2023 para a professora Wanessa e, em 2024, para a professora Luciana, mas os estudantes continuam sem ter acesso à biblioteca. Importa dizer que o espaço físico da biblioteca existe, bem como os livros. O que falta é colocar um(a) profissional para atender os turnos matutino e vespertino.

Por fim e antecipando possíveis respostas paliativas, gostaria que não fossem apresentadas propostas como “mala do livro”, “sacola literária” e outros que se identificam como projetos e jamais substituirão a importância do espaço da biblioteca. É agora, nos Anos Iniciais, que as crianças otimizam o seu processo de alfabetização, sendo que muitas delas só têm a oportunidade de acessar uma biblioteca na escola.

Diante do exposto, solicito que esta SEEDF se pronuncie não só sobre a situação atual de fechamento da biblioteca, mas também sobre a sua completa incompetência de deixar que um equipamento tão importante fique fechado por tanto tempo.

Resposta Definitiva:

Olá! Com nossos cumprimentos, disponibilizamos resposta do setor responsável referente à sua Manifestação.

Agradecemos seu contato! Lembramos que sua avaliação é muito importante para a melhoria do nosso atendimento. Solicitamos que responda a Pesquisa de Satisfação.
Atenciosamente,
Ouvidoria da Secretaria de Educação do Distrito Federal.

Em atenção à sua manifestação, a Unidade Regional de Gestão de Pessoas informou que a biblioteca da escola é um espaço que pode ser utilizado pelos estudantes sob a supervisão do professor do horário, não necessitando especificamente de professor responsável diretamente pela biblioteca, o que já está sendo realizado na Unidade Escola, conforme verificado com a Equipe Gestora da escola. Informa ainda que o atendimento exclusivo na biblioteca é feito por professor readaptado e que não há profissional disponível para suprir esse atendimento. Assim, coloca-se à disposição para demais esclarecimentos. Atenciosamente, Coordenação Regional de Ensino do Plano Piloto.

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Após uma semana sem resposta, o mesmo relato foi feito em nova reclamação (OUV-142212/2024),

Dados Básicos – OUV-142212/2024

Classificação: Reclamação

Abertura: 23/05/2024 21:11:54

Localização Atual: SEE – Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal

Tipo de Entrada: PARTICIPA-DF

Tema/Assunto: Unidade Educacional Pública

Relato: o mesmo da OUV-135147/2024

Resposta Definitiva:

Com nossos cumprimentos, encaminhamos abaixo pronunciamento do Setor responsável desta Secretaria de Educação quanto aos fatos em tela.

Sempre à disposição,

Ouvidoria da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal

"Em atenção à sua manifestação, esta Coordenação Regional de Ensino, diante da confirmação da Unidade Regional de Gestão de Pessoas de que não há professor disponível para atender essa demanda, verificou com a Equipe Gestora da Unidade Escolar, a qual reforçou que o atendimento possível na sala de leitura, no momento, acontece com atividades planejadas e acompanhadas pelo professor regente da classe, e que, semanalmente, os estudantes levam livros emprestados para lerem em casa e fazerem atividades sobre a leitura realizada. Assim, colocou-se à disposição para demais esclarecimentos à comunidade escolar. Atenciosamente, Coordenação Regional de Ensino do Plano Piloto"

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Diante do impasse em não resolver o problema de falta de profissional na biblioteca, no dia 04/06/2024, às 10h27, entrei em contato com todos(as) deputados(as) distritais através dos e-mails abaixo:

comunicacaowelling15123@gmail.com; andre.kauric@gmail.com; ellencris.jornalista@gmail.com; isisdantas@gmail.com; robertaluiza@gmail.com; camilacalazans@gmail.com; gizelechaves@gmail.com; aureogermano@gmail.com; vanessajornalista@gmail.com; samuelbarbosacldf@gmail.com; jessicacxavier@gmail.com; michelmedeiros.imprensa@gmail.com; ronijornalista@gmail.com; contatojorgevianna@gmail.com; flaviarezende.df@gmail.com; alexjordandc@gmail.com; sosramalho@gmail.com; anne.arnout@gmail.com; ascomricardovale@gmail.com; andersonsouza.jor@gmail.com; repolidf@gmail.com; bmabreujornalista@gmail.com; anandadiasmoura@gmail.com; dep.maxmaciel@cl.df.gov.br; chico@chicovigilante.com.br; gabinete@deputadodanieldonizet.com.br; dep.dayseamarilio@gmail.com; dep.doutorajane@cl.df.gov.br; dep.eduardopedrosa@cl.df.gov.br; agenda.fabiofelix@gmail.com; dep.gabrielmagno@cl.df.gov.br; deputadohermeto@gmail.com; dep.iolando@gmail.com; dep.jaquelinesilva@cl.df.gov.br; dep.joaquimrorizneto@cl.df.gov.br; gabinetejoaocardoso@gmail.com; agendadepmartins@gmail.com; dep.pastordanieldecastro@cl.df.gov.br; dep.paulabelmonte@cl.df.gov.br; dep.pepa@cl.df.gov.br; dep.ricardovale@cl.df.gov.br; dep.roberionegreiros@cl.df.gov.br; dep.rogeriomorrodacruz@cl.df.gov.br; rooseveltvillela.cldf@gmail.com; dep.thiagomanzoni@cl.df.gov.br; dep.wellingtonluiz@cl.df.glv.br

Abaixo, em ordem cronológica, seguem as respostas da assessoria dos(as) deputados(a) que se preocuparam em atender a demanda. CLIQUE nas imagens dos deputados para ler a mensagens nas respostas enviadas por e-mail.

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Iolando Almeida de Souza – 04/06/2024, 10h28.

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Wellington Luiz – 04/06/2024, 12h12.

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Dayse Amarílio – 04/06/2024, 14h03.

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Joaquim Roriz Neto – 04/06/2024, 17h41.

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Max Maciel – 05/06/2024, 13h39.

2ª reposta em 08/08/2024, 16h08.

CLIQUE AQUI para ver a indicação 5373/2024 do Gabinete do Deputado Max Maciel que solicita profissional para a biblioteca da EC 209 Sul.

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Paula Belmonte – 06/06/2024, 13h05.

2ª resposta – 12/06/2024, 11h59.

CLIQUE AQUI para baixar o OFÍCIO Nº 378/2024-GAB DEP PAULA BELMONTE

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João Cardoso – 10/06/2024, 08h31.

2ª resposta em 17/07/2024, 13h37.

CLIQUE AQUI para baixar o OFÍCIO Nº 243/2024-GAB DEP JOÃO CARDOSO

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Fábio Felix – 24/06/2024, 13h02.

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CLIQUE AQUI para ler a RESPOSTA da Secretaria de Educação ao Ofício do Deputado Distrital João Cardoso

Perceba que pela primeira vez a SEEDF empurra o problema diretamente para a Direção da Escola Classe 209 Sul ao afirmar que:

Em consideração à solicitação, instada a se manifestar, a Coordenação Regional de Ensino do Plano Piloto informa não haver, na Modulação 2024 entregue pela Escola Classe 209 Sul, previsão de biblioteca ou de sala de Leitura para a referida unidade escolar. Diante disso, não há servidores lotados naquela escola para tais espaços.

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Robério Negreiros – Ofício à SEEDF em 04/06/2024

CLIQUE AQUI para ler o OFÍCIO Nº 485/2024-GAB DEP ROBERIO NEGREIROS e inteiro teor das respostas da SEEDF ao deputado.

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Dayse Amarílio – 15/08/2024, 11h34

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RESPOSTAS DE OUTROS ÓRGÃOS

Conselho Regional de Biblioteconomia – 1ª Região

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Diante da RESPOSTA da SEEDF e não vendo uma solução sobre a má utilização da biblioteca da Escola Classe 209 Sul, é hora de apelar para instâncias maiores objetivando que o GDF cumpra a obrigação constitucional de educação de qualidade para o ensino fundamental no referido estabelecimento de ensino. Para isso, é preciso que responsáveis, professores(as), estudantes e toda a sociedade civil organizada denunciem esta e outras escolas que sofrem com problemas que interferem na eficiência do aprendizado dos(as) estudantes.

NÃO SE CALE! DENUNCIE!

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Quanto tempo você tem?

Artigo de opinião originalmente publicado em Conversa Informal, jornal comunitário do Setor Habitacional Vicente Pires, Região Administrativa XXX do Distrito Federal. Ano 21, n. 07/2024, p. 7. disponível em: <https://encurtador.com.br/lxocp>. Acesso em: 03/08/2024.

A Wikipedia define que o “segundo é a duração de 9.192.631.770 períodos da radiação correspondente à transição entre os dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio 133”. Ele, o segundo, é a unidade de medida padrão para o tempo segundo o Sistema Internacional de Medidas. Mas o tempo não é só uma grandeza física, nem mesmo para a metafísica.

Um segundo em uma olimpíada pode significar ganhar o segundo lugar ou, como preferem os mais competitivos, perder o primeiro lugar, contanto que Usain Bolt não esteja na competição. Melhorar um segundo no tempo em uma prova de natação é trabalho de meses de dedicação. Todos nós temos muitos segundos, mas o que fazemos com o nosso tempo? Somos donos do nosso tempo? Se o tempo não é nosso, de quem pode ser e o que fazem com ele?

Não é preciso entender o comportamento do césio 133 e nem assistir qualquer aula de física para termos ideia do que é o tempo. Mesmo uma criança sem memória episódica, que não sabe usar os verbos corretos para definir passado, presente e futuro, aprende naturalmente e ressignifica a ideia de tempo a partir de sua prática no cotidiano. Cada criança tem seu tempo!

A charge de Armandinho que ilustra esse texto mostra o desenho do protagonista falando com o pai. Porém, o pai acha que é a previsão do tempo e Armandinho revela querer mais tempo com o familiar. Logo, o mundo adulto e de importâncias maiores que a súplica de um filho por atenção parecem ser a tônica da charge. Tempo de perguntas e respostas. Tempo.

A ausência de um familiar falecido nos faz querer ter menos tempo. Já a convivência com os filhos nos faz querer ter todo o tempo do mundo para protegê-los e criá-los da melhor forma. Tem o tempo de semear e o tempo de colher, dizem os mais senis. Ferva por mais tempo, dê tempo ao tempo, dê um tempo, segundo tempo, é tempo de aprender. Lembro do tempo em que o artista e humorista Paulo Gustavo era vivo e eu “perdia” tempo vendo esquetes e torcendo para que “Minha mãe é uma peça” não fosse uma trilogia, mas tivesse dez filmes. Bons tempos, assim, no plural.

O tempo de vida da tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) é de 300 anos. Maior que o tempo de vida do homem, que por sua vez vive mais que o cachorro, que vive mais que a formiga. Ao falar isso logo nos imaginamos vivendo 300 anos, mas para quê? 300 anos tentando emagrecer e pagar boleto? Queremos mais tempo porque o egoísmo é natural do ser humano. Não é à toa que bilionários investem rios de dinheiro para viverem mais tempo: nunca carregaram um saco de cimento nas costas ou respiraram o ar poluído de uma lavora carregado de agrotóxico. Viver, para um bilionário, só faz sentido se for “curtindo a vida adoidado”, como fez o Ferris em filme homônimo da década de 1980. Para quem é pobre, o tempo que lhes resta é o de sobreviver.

Qual o seu passatempo favorito? Tem gente que gosta de ler, praticar esportes, ver séries e até trabalhar como é o caso dos workaholics. O meu é cheirar o cabelo da minha filha. Posso passar horas nessa “viagem” cheirando aqueles cachos que quase me fazem esquecer o quanto sou cético, acreditando que estou diante de um anjo.

Como será que um presidiário define tempo? E a família que espera o pescador voltar do mar? E um paciente em cuidados paliativos? E o padre para terminar a missa de domingo? Todos queremos mais tempo de vida porque não sabemos como será o tempo de morte, o outro lado, se é só húmus ou se existe uma eternidade no céu ou no inferno. Eu queria todo o tempo do mundo para fazer as coisas que gosto, mas não tenho nem todo o tempo do meu bairro. O dia tem 24 horas para todo mundo, mas algumas pessoas conseguem “esticar o tempo”.

E você? Quanto tempo você tem?

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Madonna Revelation Tour

Engana-se quem pensa que o show de Madonna no Rio de Janeiro no dia 04/05/2024 foi um evento da esquerda. Quem dera tivéssemos em Copacabana um milhão e meio de socialistas, ou de sociais liberais como Pedro Doria que seja, para iniciar uma segunda Revolta da Chibata. Porém, havia um milhão e meio de pessoas no show e isso nem o bolsonarismo nega. O que aconteceu então? Aconteceu que Madonna é atemporal: atravessa gerações, inspira o feminismo e consegue abrir o cadeado até mesmo daqueles armários mergulhados nos mais profundos dos oceanos da extrema-direita.

É o caso de Jorge Seif (lê-se Saife), assim pronunciado nos microfones do senado federal. Foi ao show e depois pediu desculpas, dizendo que não sabia o que iria ocorrer no show de Madonna, veja só, uma sexagenária. Se você é bolsonarista, explico: sexagenário não tem nada a ver com sexo e sim com quem tem entre 60 e 69 anos de idade. Pois é, Jorge Seif, que era conhecido por uns como Seifadinho, agora recebeu a alcunha de Seifadão. Não é preciso ter visão de raio-x para saber que quando subiu ao púlpito do senado para pedir desculpas por ter requebrado ao som de Holiday – a música, não o capitão do mato de São Paulo – o ex-ministro da pesca de Bolsonaro deixou aparecer a calcinha vermelha que vestia com os dizeres “Madonna no Rio: eu fui.”. Se joga Seif! Você não é o único Jorginho de Santa Catarina. Nem o Guinle, ex-proprietário do Copacabana Palace.

Mas a festa foi grande a não parou aí! Muita gente do círculo bolsonarista compareceu ao show.

Aécio Neves dançou até ficar só o pó. Antonio Rueda, presidente do União Brasil, esqueceu os conservadores do partido e abriu a rueda, digo, a divergência: “está muito frio aqui, não sei se fico até o final”, afirmou. Mas aguentou o “frio”. Quem disse que não ficou até o final foi Renato Araújo, do PL (Partido Libera Geral, quer dizer, Partido Liberal). O político disse que compareceu ao local, mas que saiu antes da apresentação começar, ou seja, não ficou até o início. Quem nunca não é mesmo? E logo num show como o da Madonna, que não entrava nem moto dos bombeiros e tampouco tinha espaço para aterrisagem de helicóptero. Provavelmente Renato mergulhou no mar e saiu nadando até Angra dos Reis, seu domicílio eleitoral e onde será candidato a prefeito esse ano com o apoio de Bolsonaro.

Falando no genocida, Agustin Fernandez, maquiador da santa do pau oco que adora cheque de miliciano, também esteve presente. Fabio Wajngarten, advogado e ex-ministro do ladrão de joias, foi e tirou foto com Cláudio Castro, governador do RJ pelo PL e cantor gospel nas horas vagas. A participação do núcleo duro do bolsonarismo só não foi maior porque no dia anterior Bolsonaro disse que ia passear na Embaixada da Hungria e trancou Carluxo e Renanzinho, o Zero de Quatro, no canil. Coisa de pai que não desiste nunca, nem mesmo depois de várias surras quando o filho parece meio gayzinho.

O show foi tão bom que mesmo quem não foi quis surfar na popularidade da diva. Leonardo, mais conhecido por suas fotos em orgias que rondam a web do que pelo colar com crucifixo de ouro que leva a contento, disse que a exibição de Madonna foi uma suruba com práticas de satanismo. Logo ele que com o boneco inflável Eduardo Costa tem um show chamado Cabaré deve ter muita moral para falar de sexo e mais ainda sobre a sagrada família, já que tem dois filhos fora do casamento de 1995 com Poliana Rocha.

Se não deu para perceber – ou se você prefere perceber sem dar –, numa simples passagem pelo Rio de janeiro a rainha do pop fez muita gente se revelar. O Itaú já não registra pichações desde o início de maio e os black blocks disseram que não vão apedrejar as agências bancárias por um ano até sair o nome do artista do próximo evento. Os enrustidos Malafaietes ainda tentaram associar a tragédia do Rio Grande do Sul ao show, mas o que choveu mesmo foi alegria, dança e muito amor num país marcado por uma polarização construída e incentivada pela extrema-direita. E para quem continua a criticar o show, segue o conselho de Fernando Haddad na Câmara dos Deputados no dia 22/05/2024 ao deputado Abílio Brunini (PL-MT): “isso não é problema seu, não vá ao show da Madonna, quem gosta vai”.

Ah, sim, Anitta e a Pablo Vittar também foram ao show. E ficaram até o final. Assim como mais de um milhão de pessoas.

Segue o baile.

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Como morreu Marielle Franco

Artigo de opinião originalmente publicado em Conversa Informal, jornal comunitário do Setor Habitacional Vicente Pires, Região Administrativa XXX do Distrito Federal. Ano 21, n. 05/2024, p. 7. disponível em: <https://jornalconversainformal.blogspot.com/2024/05/jornal-conversa-informal-de-maio-de-2024.html>. Acesso em: 20/05/2024.

A formação das favelas (comunidades) no Rio de Janeiro começou no final do século XIX, com o Morro da Providência. O processo de gentrificação foi parecido ao de muitas cidades grandes: higienização do centro e envio da população de baixa renda para periferias que, no caso da topografia do Rio, tem uma grande quantidade de morros. A Revolta da Vacina em 1904 está inscrita nesse contexto.

Contemporâneo desse processo é o jogo do bicho, inventado pelo Barão de Drummond, dono do Jardim Zoológico criado em 1888 e que tinha apoio de D. Pedro II. Para azar do barão, em 1889 os militares dão um golpe no império e fundam a República Federativa do Brasil. Assim, o jogo que antes era quase que monopólio da classe média ganha os cortiços e sai totalmente do controle de Drummond.

Em seguida vieram os tempos áureos (ou cafeinados) da República do Café com Leite até a queda da bolsa de Nova York em 1929. Daí veio Vargas, o populismo, a “criação” da Favela da Maré e a mudança da capital para Brasília em 1960. Adiante o governo militar (1964-1985), quando mais cresceu o número de comunidades no RJ. Na época o álcool era comum nos barracos, mas a chegada da maconha e cocaína criaram uma economia informal e o início da disputa por poder regional. Nesta disputa também entraram os bicheiros, apadrinhando escolas de samba e fazendo as vezes do Estado com contratação de médicos e distribuindo brinquedos.

Com a redemocratização, a estabilidade da moeda obtida com o Plano Real permitiu maior consumo e o discurso de “proteja seus bens” é ampliado. É aí que se fortalecem as milícias, formadas em grande parte por militares, ex-militares e, posteriormente, bicheiros e até traficantes de menor envergadura. Prometiam acabar com o tráfico de drogas por valores módicos. Pura ilusão! Com o tempo, a milícia passa a traficar, mas não só: comanda o “gatonet”, lan houses, agiotagem, vans, botijão de gás, kit churrasco e até escolas de samba. A disputa entre bicheiros e milicianos começa a ficar mais perceptível e para fazer frente a esse poderio o tráfico de drogas se organiza em facções, como o Comando Vermelho, Amigos dos Amigos e Terceiro Comando. Pensando como máfia, não viviam em pé de guerra para não atrapalhar os negócios.

Largada à própria sorte, resta a fé. Assim, um grupo enxergou nas comunidades a oportunidade de ganhar dinheiro e poder: são os vendilhões do templo! Lobos em pele de cordeiro, apresentam-se como pastores e possuem canal de televisão e partido com representação no Congresso Nacional. Enganaram até o tráfico, firmando pacto de que a única saída em vida do mundo do crime é entrando para a igreja. Claro que não é toda igreja evangélica, menos ainda as pequenas, com cadeiras de plástico. Falo do submundo do mercado da fé que, assim como bicheiros, traficantes e milicianos, orientam eleição e interferem na política. No final das contas, é tudo por dinheiro.

Assim chegamos ao dia da morte de Marielle e Anderson. Os mandantes e o motivo da ação criminosa revelam o completo desmonte do Estado no Rio de Janeiro. Qualquer residente na capital fluminense sabe que os irmãos Brazão são milicianos, embora não possam provar. O mesmo ocorria com Castor de Andrade, que dizia ser apenas um advogado e cartola do Bangu, e de outros bicheiros que apadrinham escolas de samba. O que dizer do assessor de Domingos Brazão que recebeu dinheiro de corrupção na igreja do Malafaia que, por sua vez, jamais criticou as milícias? Adriano da Nóbrega, chefe do Escritório do Crime, era bicheiro, miliciano, traficante e temente à Deus, quase um papa… Papa-níquel! Dos que não negam a profissão, somente o traficante raiz, e olhe lá.

Os irmãos Brazão, Rivaldo Barbosa, Ronie Lessa, são apenas nomes do momento, representantes do modus operandi de Estado paralelo ou substituto que há muito comanda o Rio de Janeiro. O jogo do bicho não acabou após a morte de Maninho. O tráfico de drogas não acabou após a morte de DG. A milícia não acabou após a morte de Adriano da Nóbrega. O mercado da fé não acabou após a morte do pastor Anderson do Carmo, marido e ex-filho da pastora Flordelis. Sim, você leu certo: marido e ex-filho!

Sabemos os mandantes, assassinos e razões da morte de Marielle. Por coincidência, todos bolsonaristas. Porém, o que deve ficar claro é que atacar uma vereadora negra, lésbica, defensora dos direitos humanos e que peitou a grilagem de terras da milícia no RJ é um projeto que sempre existiu no período republicano: o Estado mínimo para os pobres. Elegem até presidentes. Os atores mudam por uma questão natural: mais cedo ou mais tarde a morte chega. Para Marielle a morte chegou cedo, a resolução do crime chegou atrasada e a solução para o fim do crime organizado sequer chegou.

Para saber mais:

Tropa de Elite 1. Netflix, Globoplay e Prime.

Tropa de Elite 2: o inimigo agora é outro. Globoplay e Prime.

Vale o Escrito: a guerra do jogo do bicho. Globoplay.

Doutor Castor: Globoplay

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Carta aberta da equipe do Centro 18 de Maio

O Centro de Atendimento Integrado 18 de Maio é um serviço estruturado com o objetivo de oferecer atendimento especializado a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e suas famílias, buscando evitar qualquer revitimização na rede de proteção. É um equipamento planejado e implementado de maneira intersetorial, concebido por diversos atores do Sistema de Garantia de Direitos como o Judiciário, o Ministério Público, a Universidade de Brasília, a Universidade Católica de Brasília e equipamentos da rede pública de atendimento no DF.

O Decreto Distrital nº 34.517/2013, que instituiu o Centro, definiu o órgão como responsável pelo atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Desta forma, conforme disposto no Art. 3º do Decreto, o Centro prestará atendimento inicial, “além do acompanhamento, monitoramento e avaliação das medidas protetivas e/ou de responsabilização e adoção de possíveis medidas urgentes de prevenção de riscos e de agravos à saúde, com ações de:

I– atendimento integrado oferecido pelos órgãos e entes da Administração Pública direta ou indireta do Distrito Federal, inclusive em articulação com a sociedade civil organizada, a fim de potencializar os recursos e nortear os procedimentos que propiciem eficiência no serviço prestado;

II- atendimento acolhedor, diferenciado, rápido e assertivo, em um único local;

III- redução do lapso temporal entre a notificação e a efetiva proteção da vítima;

IV– redução do lapso temporal entre a notificação e as medidas de responsabilização do agressor;

V– acompanhamento da criança ou do adolescente e sua família nos atendimentos psicossociais especializados;

VI– planejamento, coleta e organização de dados, de forma a alimentar e manter um banco de dados, bem como a divulgação de informações estatísticas sobre o ato ilícito definido como violência sexual e sobre os atendimentos realizados pelo Centro e pela rede de proteção e promoção social do Distrito Federal.

VII– fortalecimento do Sistema de Proteção e Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente junto à sociedade do Distrito Federal”.

Nesse sentido, o serviço atua desde 2016 e já atendeu mais de 3.000 crianças e adolescentes, além dos familiares, que foram inseridos na rede de proteção e, não raro, tiveram o contexto de vulnerabilidade mitigado ou mesmo superado. Porém, alguns movimentos tem enfraquecido este serviço tão importante para a sociedade e preocupam a equipe do Centro. São eles:

1- A dificuldade para construção de ações que possam compor a agenda da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus) na mobilização pelo enfrentamento à violência sexual, notadamente de crianças e adolescentes, tendo como exemplo a inexistência de uma agenda própria no mês de maior visibilidade para o tema, apesar das diversas propostas apresentadas pelo Centro ao longo dos anos.

2- A entrega de Moção de Louvor pelo trabalho no enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes a servidores de diversos setores da Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania, excluindo qualquer representação do trabalho realizado por este Centro.

3- O apagamento do Centro no nível gestor central que, desde 2019, diminuiu a estrutura administrativa do equipamento para apenas um cargo de coordenação, composição insuficiente para exercer as diretrizes dispostas no Decreto Distrital nº 34.517/2013.

4- Desvalorização do serviço, por pagar às servidoras Gratificação de Atividade de Risco (GAR) de 5% referente à atuação em área meio e não de 20%, compatível ao exercício em área fim, apesar dos esforços continuados desta equipe em sensibilizar os gestores acerca da discrepância na remuneração.

5- Exoneração da coordenação em plena semana do 18 de maio, o que traz prejuízos para a continuidade das ações desenvolvidas.

Portanto, as servidoras que desempenham suas funções nesta unidade expressam sua preocupação frente ao descaso com o trabalho realizado pelo Centro e com a condução da política de enfrentamento à violência sexual no DF. Consequentemente, solicitamos:

a) Fortalecimento do trabalho desenvolvido pelo Centro.

b) Recomposição da estrutura de cargos do Centro, permitindo que a unidade desempenhe plenamente as competências e atribuições.

c) Suporte das autoridades competentes na interlocução com a Sejus para que o DF se adeque às normativas vigentes e otimize o enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes.

d) GAR de 20%.

A equipe do Centro está sempre à disposição para dialogar sobre a construção de alternativas que visem a melhoria do trabalho para otimizar o atendimento à população do DF. Assim, esta carta tem por objetivo explanar tal preocupação e solicitar apoio de todos os atores para que se garanta a proteção integral de crianças e adolescentes.

Atenciosamente,

Equipe do Centro de Atendimento Integrado 18 de Maio

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Um contrato para mulheres

O Dia Internacional da Mulher não deve ser comemoração piegas. A data é sobretudo um reconhecimento da mulher como sujeita de direitos, a quem foi forçada uma injusta posição na divisão sexual do trabalho. No Brasil a participação feminina em cargos de destaque na política aumentou, independente de ideologia. Tal acontecimento foi fortalecido por uma militância de movimentos sociais e até mesmo de jornalistas que reivindicam mais espaço. Embora separadas pela classe social, o que torna a sem terra quase sempre em trincheira oposta à da âncora do Jornal Nacional, o vetor resultante dessas lutas é uma abertura do debate de temas caros aos grandes grupos de comunicação, chefiados por homens brancos conservadores.

No SBT Silvio Santos ainda dá as cartas e, quando não der, alguma das seis filhas assumirá o comando. Isso só ocorrerá porque o “rei” não teve herdeiro homem, ao contrário de Roberto Marinho que teve quatro filhos, todos do sexo masculino. Na Bandeirantes a família Saad, de descendência libanesa, não pretende colocar um salto alto no andar mais alto do prédio e a Record, bem, dispensa apresentações. Basta saber que o bispo Edir Macedo disse que as mulheres não podem ter mais estudo que o marido, proibindo as próprias filhas de cursarem faculdade. Daí vem: se mulher não pode chefiar a própria família, imagina uma rede de televisão?

Calma, nem tudo é o inferno das grandes emissoras de TV – e muito menos a família do mandatário da Universal! No meio esportivo temos mulheres que se destacaram presidindo grandes clubes de futebol, nossa maior paixão e também reduto de machismo. São elas Patrícia Amorim no Flamengo (2010 – 2012) e Leila Pereira, atual presidente do Palmeiras. Após 92 anos de Copa do Mundo, pela primeira vez a FIFA colocou em campo uma mulher como árbitra, a francesa Stéphanie Frappart. A transmissão de jogos femininos em TV aberta e a abertura de espaço para meninas em escolas de futebol sinalizam bons tempos.

Mas se engana quem pensa que o machismo acabou. Vejamos o que era exigido para se trabalhar como professora na cidade de São Paulo no ano de 1923. E não, as exigências que você vai ler agora não são fake news ou uma piada do site Sensacionalista. Segue:

1- Não casar.
2- Não andar na companhia de homens.
3- Ficar em casa entre 20h e 6h, a não ser para atender função escolar.
4- Não passar pelas sorveterias do centro da cidade.
5- Não sair da cidade sem a permissão do presidente do Conselho de Delegados.
6- Não fumar cigarros.
7- Não beber cerveja, vinho ou uísque.
8- Não viajar em carruagem ou automóvel com qualquer homem, exceto seu irmão ou seu pai.

É evidente na formalidade do contrato a objetificação da mulher, a submissão à figura masculina. E há quem diga que esse servilismo imposto às professoras é algo do passado. Mais ou menos! Tudo bem que em termos de contrato para professoras se avançou bastante pois o serviço público, pela sua natureza, incorpora direitos humanos primeiro do que a iniciativa privada. Porém, a professora que ingere bebida alcoólica, fuma cigarros, vai para festas de madrugada ou anda na companhia de homens que não são seus familiares é vista por muitas colegas de profissão como uma depravada, pecadora, sem modos. Ao que tudo indica, sobrou de direito apenas tomar um sorvete no centro da cidade.

Vamos ver se as mulheres estão de fato livres?
Em 2021 a 38ª DP prendeu um homem em Vicente Pires (DF) que agrediu a companheira após a mesma arrumar as malas para sair de casa. Este criminoso se nomeou o presidente do Conselho de Delegados. Em 2022, em Querência (MT), um homem matou a facadas a mulher que era atendente num bar e não obedeceu quando ele pediu para ser atendido antes de outros clientes. Vejam bem: a atendente não bebeu cerveja e tampouco andou com outros homens em automóvel, o que torna o crime algo bárbaro para o pior dos Malafaias que sempre arruma um jeito de justificar feminicídios. Em 2019, em Sobradinho (DF), um homem de 54 anos esfaqueou a mulher, de 63 anos, porque “ela chegou tarde em casa”. Também em 2019, em Cascavel (PR), um homem perseguiu a mulher que havia pegado carona com um amigo para ir ao salão de beleza, chegou ao local e disparou contra a companheira, mas a arma falhou.

Enfim, o contrato de professoras de São Paulo de 1923 continua valendo, infelizmente não só para professoras. Mais do que as regras de conduta, continuam a valer a violência, às vezes fatal, pela qual passam as mulheres que resolvem romper suas correntes. Nesse 8 de março, ao invés de flores e parabéns, dê respeito.

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Vote em mim!

Fonte: Spirit Fanfics

Artigo de opinião originalmente publicado em Conversa Informal, jornal comunitário do Setor Habitacional Vicente Pires, Região Administrativa XXX do Distrito Federal. Ano 19, n. 08/2022, p. 7. disponível em: <https://jornalconversainformal.blogspot.com/2022/08/jornal-conversa-informal-de-agosto-2022.html>. Acesso em: 22/08/2022.

Atenção: espaço destinado à propaganda político bairrista.

Sou o Seu Vicente, o seu candidato a deputado distrital. Sou um candidato bairrista, aquele que pede o seu voto por morar onde você mora, ou seja, proposta mesmo que é bom deixo pra depois. Se sou do seu bairro[1] então é claro que serei bom deputado para quem mora “aqui” não é mesmo?

Veja bem, temos menos cadeiras para deputado do que o número de bairros no Distrito Federal. Isso significa que teremos bairros que não terão representantes eleitos na CLDF (Câmara Legislativa do Distrito Federal). Outra: há bairros mais populosos que podem até eleger mais de um representante! Logo, precisamos concentrar nossos esforços para que eleger quem seja “daqui”. Você vai deixar seu bairro sem representatividade?

Se eleito, prometo defender nosso bairro, trazer recursos para nosso bairro e começar todos os meus discursos falando o nome de nosso bairro. Eu já falei que o bairro é nosso? Se não, falo agora: o bairro é nosso! E se o bairro é nosso devemos valorizar o vizinho que se candidatou porque é claro que um “candidato copa do mundo”, aquele que aparece de 4 em 4 anos, vai nos defender dos candidatos de outros bairros. O orçamento é um pra todo mundo e não adianta puxar o cobertor pra cabeça e descobrir os pés.

Quando uma região que tem população com nível de renda menor do que um salário mínimo precisar de uma escola, vou pressionar o governador para usar o recurso e construir uma rotatória com rosas do campo na entrada de nosso bairro. Quando determinada localidade com grande número de idosos precisar de hospital, movimentarei minha base de cristãos para dizer que o recurso seria melhor empregado se fizessem um museu da bíblia em nosso bairro. Quando um deputado de outro bairro discursar que tal endereço precisa de um CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) devido ao grande número de pessoas que recebe benefícios socioassistenciais, farei um protesto com empresários exigindo Refis (Programa de Recuperação Fiscal) da conta de água. E se denunciarem nossos queridos empresários por trabalho escravo, direi que geram emprego e renda para nossos queridos moradores.

Quer um emprego para a sua esposa? Não conseguiu vaga na creche para o caçula? Quer tirar aquela multa por estacionamento irregular? O alvará do seu galpão ainda não foi avaliado pela administração regional? Então pense diferente: vote em Seu Vicente.

As consequências do bairrismo são mais diretas do que a tentativa de comprar vacinas da Covaxin com sobrepreço de um dólar: aumento da desigualdade social e com ela o acirramento de conflitos na luta pela sobrevivência, seja de quem precisa de remédio ou de pão. Mas nada disso importa porque em nosso bairro “as grades do condomínio são pra trazer proteção”. Se nossos filhos morrerem na esquina sendo assaltados por adolescentes da mesma idade, o discurso de “morte aos marginais” está na ponta da língua dos homens de bem, esse grupo que insiste em me (re)eleger.

Eu não prometo, eu faço. E você me conhece de outros carnavais e de outras eleições. Você me vê na feira aos domingos tomando um caldo de mocotó ou ao final de dias úteis na fila do pão. Já tive nomes diferentes, mas o apelo bairrista é sempre o mesmo. O meu jargão “vote alguém do nosso bairro” já foi dos militares, dos executivos da segurança privada, dos empresários da merenda, dos neopentecostais, dos contratantes de ladrão de coroa de flores dos cemitérios, dos cartéis de postos de combustíveis, dos mandatários de empresas de transporte coletivo. Hoje eu sou o Seu Vicente furando a bolha de suas redes antissociais para pedir o seu voto. Sou Cristiano Palha e vocês, eleitores, são Rubião, como em Quincas Borba de Machado de Assis.

Não quer ler e vai esperar virar filme? Então veja a esquete Programa Político 2 do Porta dos Fundos clicando aqui.


[1] Antigamente no DF os bairros eram chamados de cidades-satélites por ficarem ao redor do Plano Piloto, a Brasília do plano original. Após 1990, a expressão cidade-satélite, considerada preconceituosa, deu lugar à regiões administrativas, o mesmo que bairro com administrador regional indicado pelo governador do DF e por esta razão sempre um puxa-saco do Palácio do Buriti.

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